Vacina contra o COVID-19: Os desafios da logística

Vacina contra o COVID-19: Os desafios da logística

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A corrida da vacina

Temos diversas pesquisas sendo desenvolvidas para encontrar uma vacina para combater o novo coronavirus. Quando elas ficarem prontas, Como fazer para ela chegar para todo mundo? No vídeo de hoje vamos falar sobre os desafios da logística para a nova vacina.

A pandemia do novo coronavirus gerou uma corrida mundial para desenvolver a vacina que seria capaz de combatê-lo. Mais de 100 centros de pesquisa no mundo estão envolvidos, com 48 modelos já em testes químicos, que são divididos em 3 fases. Na terceira e última fase temos 11 vacinas. Tem uma que já até começou a chegar unidades para montar estoque no Brasil.

Neste artigo não vou falar sobre eficácia das vacinas, sobre origens das mesmas e nem sobre a obrigatoriedade de vacinação, já existem diversos tipos de vídeos com essas discussões. Vamos focar no seguinte: no momento que um dos modelos tiver seus testes finalizados e for autorizado a aplicação em larga escala, quais são os desafios logísticos que vamos enfrentar?

Vou dividir o texto o em 3 partes, produção, transporte e armazenagem e aplicação. Lembrando que todos esses desafios são agravados pela escala global do problema, pois todos os países estão no mesmo barco.

Produção

    • Começando com a produção, encontramos a primeira dificuldade que será a fabricação de insumos para a vacina. Com certeza, não teremos a capacidade de produção de insumos de acordo com a demanda das vacinas, e como cada vacina tem seu tipo de insumo, é difícil investir em aumento de capacidade produtiva agora sem saber qual das vacinas efetivamente serão aprovadas. Esses insumos podem também ser usados para fabricação de outros tipos de vacina e medicamentos, que vão concorrer nessas compras.
    • Imagine que diversas vacinas estão sendo criadas, se várias delas compartilharem o uso de um componente, irá ocorrer uma competição global por ele, e o país onde é fabricado terá uma vantagem competitiva e poderá controlar a capacidade e comercialização.
    • Embalagens – Hoje já estamos com uma dificuldade muito grande no setor de embalagens, falta papelão, plástico, vidro, borracha, temos visto reclamações de todos os setores, então uma demanda alta como as embalagens para a vacina vai agravar isso ainda mais, gerando inclusive, aumento de preços.
    • Lembrando que os laboratórios vão precisar de aumentar suas capacidades de produção, visto que as demais vacinas precisam continuar sendo produzidas também, como por exemplo a de gripe ou a de sarampo. E acabam utilizando as mesmas estruturas.
    • Para curiosidade, o volume estimado de produção de vacinas de qualquer tipo no mundo é de 5 bilhões de doses de todas os modelos. Para o Coronavirus precisariamos de uma quantidade semelhante a esse.

Transporte e armazenagem

      • Cada tipo de vacina exige manuseios diferentes, provavelmente com rígidos controles de temperatura.
      • Precisa-se de locais especiais de armazenagens, um dos modelos em testes na fase 3, precisa ser armazenado em -70 graus. Na temperatura da geladeira (equipamento comum nos postos de saúde), entre 2 e 8 graus, ela só aguentaria no máximo 5 dias. Muito diferente das vacinas de febre amarela pro exemplo, que precisa ser armazenada em torno de -20 graus, mas ainda consegue suportar por 30 dias nos refrigeradores.
      • O produto precisa ser transportado em caminhões refrigerados. Eles vão sair da unidade produtiva, ou do local onde chegam da importação, direto para os “hubs” espalhados para o Brasil. Mesmo em veículos refrigerados, pode ser necessário a utilização de gelo seco, que é mais um insumo usado em diversas outras situações que pode acabar faltando para essa atividade.
      • Dos “hubs” precisam sair em caminhões menores para as chamadas instâncias locais, ou os postos de saúde, locais onde serão aplicadas. Essas viagens vão Precisar ser frequentes, pois não há espaço e nem condições de armazenar grandes quantidades nessas unidades.
      • E lembrando que alguns dos modelos de vacinas em testes precisam de mais de uma dose para serem efetivas, o que duplica a necessidade de armazenagem e transporte.

Aplicação

    • A primeira dificuldade é aquisição de seringas e agulhas. Esses equipamentos são descartáveis, então só podem ser usados uma vez, e já estamos com dificuldade de encontrá-los disponíveis. A alta demanda além de aumentar a dificuldade, vai pressionar os preços. Não há capacidade global nos fabricantes de produzir centenas de milhares de seringas em um curto espaço de tempo
    • Há também a dificuldade de vacinar todo mundo. Se pensarmos em uma cidade com um milhão de pessoas que desejarem ser vacinadas, se a gente conseguir vacinar 1000 por dia, vai demorar 1000 dias para vacinar todo mundo, ou seja quase 3 anos.
    • Vai ser preciso aumentar o contingente de aplicadores e também de locais onde a vacina vai ser aplicada. Para não gerar aglomerações.
    • Por isso é importante definir quais os critérios para aplicação, ordem de prioridade, essas coisas. Por incrível que pareça, isso também é um problema logístico. Para se atingir a chamada imunidade de rebanho, especialistas dizem que entre 60% e 80% da população precisa ser vacinada.

Conclusão

O coronavirus tem trazido desafios impressionantes para toda a cadeia de suprimentos global, como nunca havíamos visto antes. E estou certo que esses desafios tem mostrado o quão nós, líderes de logísticos somos importantes, além disso, resilientes e preparados para responder rapidamente as mudanças.

Para finalizar, é uma noticia boa saber já estamos em estágio avançado de pesquisa, já é um começo da vista da luz no fim do tunel. Apesar disso, por todos esses desafios que ainda vamos enfrentar nessa fase logística da vacina, ainda devemos demorar um pouco mais para conseguirmos a chamada imunidade de rebanho. Portanto se cuidem.