10 tendências da logística para 2026

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10 tendências da logística para 2026

Tendencias da Logística para 2026. Confira esse conteúdo também em vídeo:

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10 tendências da logística para 2026: o que esperar do setor

O ano de 2026 já começou trazendo muitos desafios, e também grandes oportunidades, para quem atua no setor logístico. A logística segue como uma área estratégica para empresas de todos os tamanhos, pressionada por mudanças no consumo, tecnologia, mercado de trabalho e até pelo cenário geopolítico e climático.

Com base em análises de mercado, conversas com profissionais da área e na experiência prática do dia a dia das operações, reuni aqui as 10 principais tendências da logística para 2026, com foco especial na realidade brasileira.

1. Crescimento contínuo do e-commerce

O e-commerce segue como um dos principais motores da logística. Nos últimos cinco anos, o comércio eletrônico cresceu, em média, 17% ao ano no Brasil. Para 2026, a expectativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) é que o setor continue crescendo a taxas de dois dígitos, acima de 10%.

Além dos grandes players já consolidados, como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza, empresas internacionais como Shopee, Shein e Temu vêm ampliando fortemente sua presença no país. A chegada do TikTok Shop ao Brasil também promete intensificar ainda mais a disputa.

Esse crescimento pressiona a logística por entregas cada vez mais rápidas, estruturas mais robustas e operações altamente eficientes, beneficiando tanto os profissionais da área quanto os consumidores finais.

Um dado relevante é o avanço das pequenas e médias empresas exclusivamente digitais, que cresceram cerca de 77% no último ano. À medida que ganham volume, essas empresas passam a buscar alternativas além dos Correios, impulsionando ainda mais o mercado de transportadoras privadas.

2. Dificuldade na contratação de mão de obra

O mercado de trabalho na logística vive um paradoxo: muitas vagas abertas e, ao mesmo tempo, dificuldade em encontrar profissionais qualificados e comprometidos. As empresas enfrentam alta rotatividade, custos elevados com contratação e treinamento e dificuldade em reter talentos.

Ao mesmo tempo, há uma percepção de exigências excessivas por parte das empresas e, em contrapartida, falta de engajamento de parte dos candidatos. Para 2026, a tendência é que esse desafio continue, exigindo mais equilíbrio entre empresas e profissionais, com foco em desenvolvimento, capacitação e carreira de longo prazo.

3. Escassez de galpões logísticos de qualidade

Outra tendência forte para 2026 é a falta de galpões logísticos adequados para atender às demandas atuais do setor. Estimativas indicam um déficit de cerca de 500 mil m² em áreas disponíveis para locação até o fim do ano, mesmo considerando novos empreendimentos em construção.

A escassez é ainda mais crítica quando falamos de galpões Classe A e A+, que oferecem infraestrutura moderna, pé-direito elevado, docas adequadas e capacidade para operações mais tecnológicas.

Empresas que planejam expansão ou mudança de operação precisam se antecipar, pois encontrar o imóvel ideal pode levar anos. O cenário de juros elevados e incertezas econômicas também dificulta novos investimentos no curto prazo.

4. Pressão crescente sobre as transportadoras

As transportadoras enfrentam uma forte pressão estrutural: combustível caro, estradas precárias, dificuldade para contratar motoristas e aumento geral dos custos operacionais. O encerramento das operações domésticas da FedEx no Brasil reforça esse cenário desafiador.

Além disso, grandes empresas de e-commerce estão investindo em operações próprias, reduzindo o volume repassado às transportadoras tradicionais. Isso intensifica a concorrência, gera guerras de preços e pode comprometer a qualidade do serviço quando o foco passa a ser apenas o menor custo.

5. Avanço da automação e da informatização

Em 2026, empresas que ainda não investiram em informatização e automação correm sério risco de perder competitividade. Sistemas de WMS, TMS, rastreamento, bipagem e gestão baseada em dados deixam de ser diferencial e passam a ser requisito básico.

No entanto, é fundamental lembrar que automatizar processos ineficientes não resolve o problema. Antes da tecnologia, é necessário revisar fluxos, eliminar gargalos e padronizar operações. A tecnologia deve potencializar processos bem desenhados, não mascarar falhas.

6. Uso mais prático da inteligência artificial

A inteligência artificial deixa de ser apenas tendência e começa a se tornar mais operacional na logística. Em 2026, o foco estará menos no marketing e mais em aplicações práticas: análise de dados, previsão de demanda, otimização de rotas e apoio à tomada de decisão.

Ainda assim, a IA deve ser vista como ferramenta de suporte, e não como substituta da decisão humana. Dados errados geram análises erradas, e nenhuma inteligência artificial substitui o conhecimento do negócio e o olhar crítico dos gestores.

7. Internacionalização das empresas

A logística internacional ganha força com a possibilidade de novos acordos comerciais (principalmente o acordo do Mercosul com a União Europeia que fica nesse impasse se sai ou não sai) e maior integração do Brasil ao comércio global. Empresas brasileiras tendem a exportar mais, enquanto novos produtos e fornecedores internacionais entram no mercado.

Para quem atua com comércio exterior, transporte internacional e operações aduaneiras, 2026 pode representar aumento de demanda e novas oportunidades de negócio.

8. Impactos do cenário geopolítico

O contexto geopolítico global segue instável e imprevisível. Conflitos internacionais, guerras tarifárias, mudanças políticas e tensões comerciais impactam diretamente cadeias de suprimentos, custos e prazos.

Para a logística, cresce a importância da análise de risco, diversificação de fornecedores e resiliência da supply chain, considerando não apenas fornecedores diretos, mas também os fornecedores dos fornecedores. Acompanhamento dos vários níveis da cadeia de suprimentos aumenta a importância a cada dia.

9. Clima e resiliência da cadeia de suprimentos

Eventos climáticos extremos, enchentes, secas, deslizamentos e tempestades, tornaram-se cada vez mais frequentes. Esses eventos podem causar rupturas severas nas cadeias de suprimentos, inclusive em operações totalmente nacionais.

Planejamento de cenários, mapeamento de riscos e planos de contingência deixam de ser opcionais e passam a ser parte essencial da gestão logística.

10. Sustentabilidade como fator decisivo

A sustentabilidade ganha ainda mais relevância em 2026. Clientes, tanto empresas quanto consumidores finais, passam a exigir ações concretas das empresas: uso de energias renováveis, veículos elétricos, redução de emissões de carbono e práticas ambientais responsáveis.

Além de atender exigências do mercado, investir em sustentabilidade contribui diretamente para mitigar os impactos das mudanças climáticas e fortalecer a imagem das empresas no longo prazo.

Conclusão

As tendências da logística para 2026 mostram um setor cada vez mais complexo, tecnológico e estratégico. Quem conseguir se antecipar, investir em pessoas, processos e tecnologia, e enxergar essas mudanças como oportunidades, e não apenas desafios, estará muito melhor posicionado para crescer.

A logística segue evoluindo, e 2026 promete ser um ano decisivo para a transformação do setor no Brasil.

E você, qual dessas tendências acredita que terá maior impacto na sua realidade logística este ano?

Rafael Duarte é economista. Possui ampla experiência em empresas brasileiras e multinacionais na área de logística, transportes e comercio internacional, atuando no Brasil e no exterior. Acha que podemos simplificar o conteúdo de logística disponível na internet, sem perder a qualidade.

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