Fedex Brasil: o fim de uma era
Fedex Brasil anuncia encerramento de suas atividades de transporte doméstico no Brasil. Confira esse conteúdo também em vídeo.
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O fim do transporte doméstico da FedEx no Brasil: impactos, aprendizados e oportunidades
O ano de 2026 começou com uma notícia que pegou boa parte do mercado logístico de surpresa: a FedEx anunciou o encerramento de suas operações de transporte doméstico no Brasil. A decisão marca a saída de um dos maiores players globais do transporte rodoviário e aéreo nacional, embora a empresa permaneça atuando no país com transporte internacional e serviços de logística e fulfilment.
Neste artigo, vamos entender o que muda com essa decisão, analisar os impactos para empresas e profissionais do setor e refletir sobre as oportunidades que surgem a partir desse movimento.
Quem é a FedEx e como ela operava no Brasil
A FedEx é uma das maiores empresas de transporte e logística do mundo, com operações em diversos países e múltiplos segmentos de negócios. No Brasil, sua atuação estava estruturada em três grandes frentes:
Transporte doméstico: entregas rodoviárias e aéreas dentro do território nacional;
Transporte internacional: remessas do Brasil para o exterior e do exterior para o Brasil;
Serviços de logística e fulfilment: armazenagem, separação de pedidos e soluções logísticas personalizadas para empresas.
O anúncio feito no início de 2026 se refere exclusivamente ao encerramento do transporte doméstico, tanto rodoviário quanto aéreo. As operações internacionais e os serviços de logística continuam funcionando normalmente.
Um olhar pessoal: a minha história com a FedEx Brasil
Essa notícia tem também um peso emocional para muitos profissionais do setor, inclusive para mim. Em janeiro de 2012, iniciei minha trajetória no Rapidão Cometa, participando do programa de trainee da empresa. Poucos meses depois, em maio daquele mesmo ano, veio o anúncio que mudou tudo: a FedEx adquiriu o Rapidão Cometa, uma das transportadoras mais consolidadas do Brasil, com forte presença no Nordeste e filiais em todo o país.
A aquisição foi recebida com muito orgulho por todos nós. Passávamos de uma grande empresa nacional para fazer parte de uma das maiores companhias de logística do mundo. O processo de integração envolveu fortes investimentos: renovação de frota, compra de carretas e veículos de entrega, modernização das unidades, novos sistemas e integração ao sistema global da FedEx.
Durante quase quatro anos, tive a oportunidade de conhecer diversas operações da empresa pelo Brasil, passando por cidades como Belém, Rio de Janeiro, Uberlândia, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e várias capitais do Nordeste. Foi um período de formação intensa, aprendizado prático e contato direto com grandes profissionais do mercado.
Posteriormente, a FedEx ainda realizou a aquisição da TNT, empresa de origem europeia, o que fortaleceu ainda mais sua malha de transporte rodoviário no Brasil. A TNT já havia adquirido anteriormente as transportadoras Expresso Mercúrio e Expresso Araçatuba, sendo um importante player no transporte doméstico no Brasil.
Mesmo após minha saída da empresa, o vínculo profissional e o respeito pela FedEx permaneceram, tanto pelo que aprendi quanto pelas pessoas com quem trabalhei.
O que muda na prática para os clientes da FedEx
Segundo a comunicação oficial da empresa, todas as coletas acordadas serão realizadas até o dia 6 de fevereiro. Tudo o que for coletado até essa data será entregue, respeitando os prazos contratuais.
Ou seja:
- Durante o mês de janeiro, as operações seguem normalmente;
- Após fevereiro, empresas que utilizavam a FedEx no transporte doméstico precisarão buscar novos parceiros logísticos;
- Transporte internacional e serviços de logística continuam sem alterações.
Para quem depende da FedEx como transportadora nacional, o momento exige planejamento imediato, renegociação de contratos e testes com novos fornecedores.
Impactos no mercado de transporte e logística
A saída da FedEx do transporte doméstico abre espaço para uma reorganização natural do mercado. Algo semelhante aconteceu em 2012, com o encerramento das operações da Transportadora Ramos. Naquele momento, grande parte do volume migrou rapidamente para outros operadores, inclusive para a própria FedEx.
A diferença agora é que o processo da FedEx foi anunciado com antecedência, o que permite um planejamento de saída adequado para os embarcadores.
Para as transportadoras, surge uma grande oportunidade de absorver novos volumes. É fundamental respeitar a capacidade operacional, evitando assumir mais carga do que é possível processar. Crescimentos abruptos podem gerar gargalos, atrasos e queda no nível de serviço. Experiências passadas mostram que o excesso de volume sem estrutura pode gerar cenários caóticos, com filas de caminhões, atrasos e sobrecarga das equipes.
A FedEx era uma operadora nacional. Com sua saída, é provável que o volume se distribua entre operadores regionais, criando “vencedores” diferentes em cada região do país, em vez de um único grande player absorver tudo.
O impacto humano: profissionais no mercado
Um dos aspectos mais sensíveis dessa decisão é o impacto nas pessoas. Estima-se que cerca de 6 mil profissionais sejam desligados ao longo do processo de encerramento das operações domésticas.
Por um lado, isso representa um momento difícil para quem está deixando a empresa. Por outro, o mercado passa a contar com milhares de profissionais experientes, que atuaram em uma multinacional de referência mundial, com vivência em operações complexas, sistemas robustos e altos padrões de qualidade.
Para transportadoras, operadores logísticos e embarcadores, esse movimento também pode representar uma oportunidade de contratação de mão de obra qualificada.
O futuro do transporte doméstico no Brasil
Apesar do impacto inicial, a tendência é que o mercado se reajuste naturalmente. A demanda por transporte continua existindo, e o Brasil conta com muitos operadores logísticos capazes de absorver parte desse volume.
No curto prazo, pode haver alguma pressão sobre preços ou prazos, mas não há indícios de um colapso no setor. Pelo contrário: o mercado brasileiro de logística segue recebendo investimentos e continua em expansão.
A própria FedEx reforça isso ao manter suas operações internacionais e de logística no país, sinalizando que o Brasil continua sendo estratégico — embora desafiador do ponto de vista operacional e burocrático.
Conclusão
O encerramento do transporte doméstico da FedEx no Brasil é, sem dúvida, uma notícia triste para o setor e para muitos profissionais que construíram sua carreira dentro da empresa. Ao mesmo tempo, é um lembrete claro de como o mercado logístico é dinâmico, competitivo e sensível a custos, eficiência e ambiente regulatório.
Para quem atua na logística, o momento traz:
- Desafios de adaptação;
- Oportunidades de novos negócios;
- Acesso a profissionais experientes no mercado;
- E a necessidade constante de planejamento e eficiência.
A logística no Brasil vai continuar acontecendo, crescendo e se transformando, mesmo com a saída de um player global tão relevante.
E você, como enxerga a saída da FedEx do transporte doméstico? Acredita que outras empresas podem seguir o mesmo caminho nos próximos anos?



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